quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O Natal exótico


Então vem um gajo, ou melhor, uma rena para o meio de África para ver se se livra do Natal e nem assim!?!? Andava eu todo contente a ver bicharada e de repente cheguei a casa um dia e… zau! Toma lá morangos, que é como quem diz, presépio! Mas não um presépio qualquer, nem pensar. Os parvos não podem fazer nada normal e arranjaram um presépio feito com… barbas de milho! Já viram bem isto. Fez-me voltar á minha adolescência, quando lá nas corcovas comecei a fumar, as mesmíssimas barbas de milho. O que uma rena tem que ver. Um dia destes vão desatar a fazer coelhos da páscoa com folhas de couve. Mas adiante. Entretanto lá fui reparando que aqui também há Natal. E é engraçado ir na rua em t-shirt e chanatos com um sol que até derrete e de repente entrar num centro comercial e ver um PN* com roupa de inverno, uma árvore decorada com fitas e bolinhas a imitar neve. Ah, e um daqueles bonecos estúpidos a imitar o PN pendurado numa escada de corda. E iluminação nas palmeiras. Diria eu que é um Natal exótico. Ainda para mais porque há dias fui com os parvos comprar prendas para levar prá terrinha. Acho que eles não acreditam muito na eficácia do PN. Então compraram umas coisas que a malta daqui usa. Tudo coisas muito pouco práticas. Então na vez de comprarem uns ipodes e umas plaistaciones, eles decidiram comprar lanças e bonecos de trapos. Mas em que século é que estes dois vivem? Bem, malta, feliz Natal para vocês todas e todos. Eu vou pentear o pêlo e pôr-me a milhas porque fiquei de ir jantar com uma impala…
OH OH OH

*PN é a abreviatura de Pai Natal, claro. Conheço o velho há tantos anos que já há confiança.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Benvindos à selva


Perguntar-se-ão o que faz uma rena no Quénia em plena época natalícia. Supostamente eu deveria estar a trabalhar, mas este ano o Pai Natal resolveu fazer um rigoroso processo de selecção para escolher as renas que lhe vão puxar o trenó por esse mundo fora e a coisa não correu lá muito bem. Eu candidatei-me, claro está, e a entrevista até correu bem, mas depois na volta do correio veio um documento a dizer que eu tinha sido recusado. Ao que parece acharam que eu tinha o pêlo demasiado cor de laranja. Ah e tal, que dava muito nas vistas e não é suposto dar-se pela presença do trenó do Pai Natal a voar pelos céus do Mundo. Além disso, pasmem-se, diziam também que eu ultrapassava o peso permitido. Que ultraje! Eu este Verão nem comi petiscos nem gelados nem essas coisas! Humpf… Esperem por dia 24 que eu logo vos digo… (com licença, tenho de ir limpar o focinho porque entretanto babei-me a pensar nas farófias). De todas as maneiras eu também não queria aquele trabalho para nada, com a crise que para aí vai aquilo era mal pago e ainda por cima era a recibos verdes. Nah. A mim não me apanham lá.
E por isso aqui estou em plena África, meti-me na mala dos parvos e quando dei por mim tínhamos aterrado em Nairobi. Não se está cá nada mal, devo dizer. Pelo menos não faz frio. E é tudo muito bonito e tenho passeado muito com eles. No outro dia fui ver animais e fiquei seriamente pasmado com aquilo. Eu à espera de ver ursos e raposas e pardais afinal vi girafas, elefantes e uns gatos muita grandes que acho que se chamavam leões. Ca gandas bichos, sim senhor! Nem a maior rena da minha aldeia lhes chegava aos calcanhares. (Vá, aos calcanhares sim, mas à cintura dificilmente e ao pescoço já nem pensar). Gostei muito e quis tirar uma fotografia com eles, mas ouvi dizer que os tais gatos gostam de carne fresca e quem se pôs ao fresco fui eu.  

PS-Quando cheguei vinha com sede e pedi uma mini. Disseram logo que não havia e eu já queria voltar para trás, que isto não tinha jeito nenhum. Mas depois lá apareceram com umas Tusker e a coisa compôs-se. Afinal de contas há minis sim senhor, são é de meio litro!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Na falta de doce de leite...



Toda a gente sabe que um dos alimentos essenciais para o desenvolvimento saudável de uma rena é o gelado. O meu favorito é o de doce de leite, mas os parvos guardam-no na última gaveta da arca frigorífica e eu não chego lá. Os velhacos…
Um destes dias decidi vingar-me e fui enfardar gelados de outros sabores para uma esplanada à beira mar.
Por causa das coisas decidi provar várias das especialidades da casa, até porque ia com um apetite considerável. Aquilo estava que era uma maravilha! Àqueles que já estão para aí a comentar o facto de eu ter ingerido dez vezes o meu peso em gelados, devo dizer que com tanta crise e cortes na despesa e afins nunca se sabe ao que isto chega e se calhar é melhor ir armazenando. Ainda por cima vem aí o Inverno e eu não quero andar por aí depois todo magrinho, com os ossos do espinhaço à mostra e as hastes murchas. É feio. E muito menos ficar amarelo, sujeito a dar-me uma fraqueza qualquer.
Qualquer desculpa é boa, certo?

Desporto dum raio


Como a vida não é só comer e beber, ou como rezam os cartazes das festas das aldeias, animação e bons petiscos, decidi ser uma rena desportista por uma tarde. E lá fui eu, com protector solar nas hastes e um neopreno até ao focinho, testar as maravilhas do surf. Malta, aquilo é o inferno. Para começar os instrutores mandam-nos levar umas pranchas gigantescas. A minha era o dobro de mim próprio e quando cheguei à água já ia com os quartos dianteiros a latejar. Ainda por cima os cascos enterram-se na areia e é difícil caminhar. O raio da praia estava bem era toda alcatroadinha. Assim evitavam-se bichos, areia em sítios impróprios e outras incomodidades. Depois temos a parte do surf em si. Que estafa! Ao fim de meia hora a tentar remar e ficar direito em cima da prancha, a única coisa que consegui foi cair vezes sem conta e andar embrulhado nas ondas. Numa das vezes até saí da água com um peixe nos dentes. Parecia um urso cor-de-laranja com cornos. Conclusão, passei duas horas dentro de água a fazer papel de urso, e não consegui ficar direito em cima da prancha nem uma só vez. Até voltar com a prancha para o armazém foi um martírio. Tinha cãibras em todo o lado. A parte positiva disto tudo é que lá na praia havia um bar com uma esplanada excelente, caracóis e minis. Passei o resto da tarde a beber jolas e a olhar para a praia com montes de malta a fazer surf ao longe. Bem longe…

domingo, 28 de agosto de 2011

O jantar está servido



Caríssimos,

Sei que provavelmente estão todos cheios de saudades minhas, mas sabem como é... A vida de uma rena é duríssima e eu às vezes também gosto da minha privacidade.
No entanto, e para que ninguém fique triste por eu não dar notícias há tanto tempo, venho dar-vos conta das últimas.
Os parvos acharam que eu estava a ficar muito mole e acharam por bem testar a minha resistência (e paciência!) obrigando-me a acampar uma temporada. Deram-me um saco-cama às riscas e pouco depois dei por mim fechado no carro durante uns tempos, por minha conta. Os primeiros dias ainda correram bem, joguei gamão com uma mosca que também lá estava, ouvi música e vi as vistas, mas depois fartei-me de assistir às cagadelas dos pombos nos vidros e tive uma ideia. Resolvi retirar-me por uma nesga de vidro que ficou aberta e fui investir numa espécie de roteiro gastronómico por aí já que comer, para além de ser uma das minhas actividades favoritas, é uma das que desempenho melhor. Não digam a ninguém, mas eu até superei os mínimos olímpicos! E agora que ninguém nos ouve, desconfio que os parvos também não andaram lá longe nestes últimos tempos... 
Da parte que me toca, e porque agora anda por aí a moda das maravilhas da gastronomia, em primeiro lugar fui provar uma das concorrentes: amêijoas à Bulhão Pato!


quinta-feira, 28 de julho de 2011

Ir a banhos

Passo a explicar o meu conceito de ir à praia.
O mais importante é encontrar um sitio sem ondas e com água quentinha. Vamos lá a ver se nos entendemos. Que piada é que tem entrar num mar gelado ou estar a levar com ondas nas ventas de trinta em trinta segundos? Segundo eu (e neste blog mando eu) nenhuma! Ora portanto o melhor é uma daquelas praias em que a água dá pelo joelho, mais ou menos até à latitude dos Açores. Depois convém que faça solzinho. Muito! Caso não saibam na Suécia há imensas renas amarelas. Porquê? Porque não apanham sol. Claro. Mas atenção, convém pôr protecção senão ainda desbotam. Ou então arranjar um guarda sol daqueles que há nas praias com cadeirinhas e tudo. Claro, não estavam à espera que uma rena como eu andasse de guarda sol atrás!!
E pronto! agora é só deitar na toalhinha e ficar a lãzeirar!





quarta-feira, 20 de julho de 2011

Eu quero é febras!

Olá pessoas!
Este fim de semana fui fazer a preparação para as férias, não vá o diabo tecê-las e um gajo aparecer lá sem treino...isso é que não! Assim sendo os parvos levaram-me à rebêra. Depois de uma viagem atribulada para lá chegar (os parvos têm uns amigos que são o diabo, mas eu confesso que até sou capaz de me afeiçoar a eles, são umas alminhas fixes) lá demos com o raio da auga. Eu ia cheio de calor e por isso aventei-me logo lá para dentro, mas cansei-me muito e tive de nadar deitado.
Depois de ficar ao sol um bom bocado para secar o corpanzil (sempre com cuidado para não desbotar o cor-de-laranja!), fiquei cheio de fome. E agora pasmem-se... não é que os parvos queriam que eu comesse uma folha?! Coisas verdes??!!! Puaj! É claro que tive de fazer uso do meu gigantismo para lhes fazer frente e pedir uma dose de febras. Mesmo sem minis (ainda!) é preciso ir educando estes dois...